Essa semana a Aline Carvalho que mora em Dublin quase 1 ano vai dar seu depoimento de como esta sendo trabalhar de Aupair na Irlanda! espero que voces gostem!

Todas as escolhas que fazemos na vida nos levam a registrar experiências inesquecíveis, porém e preciso cuidado para tornar bons momentos em pesadelos. E não funciona diferente para a vida de aupair.
Não Quero ser Aupair!
Eu sou aupair há 8 meses na Irlanda, logo que cheguei a Irlanda eu estava certa de que não seria aupair. Tentei de todas as maneiras encontrar outros trabalhos e os encontrei, alguns deles não me proporcionavam o numero mínimo de horas necessário para minha sobrevivência, em outros eu tive a infelicidade de encontrar maus pagadores. Isso mesmo, existem caloteiros na Irlanda sim, infelizmente! Tres meses vivendo em Dublin e o dinheiro sumindo a cada dia, me virei graças aos amigos que me ajudaram de todas as formas (financeira e emocional principalmente).
Como tudo começou…
Decidi que ser aupair seria a única maneira de continuar no pais e finalizar o meu curso. Comecei a busca por famílias na internet (www.greataupair.com; www.aupairwolrd.com) e não foi fácil. Levei um bom tempo trocando mensagens com as famílias, revisando perfis, preparando currículo e na minha opinião o mais importante: participando das entrevistas. Mesmo que a entrevista que você marcou não se encaixe no seu perfil deve ainda sim faze-la, pois será sempre uma oportunidade de network em que você pode conhecer um importante contato ou mesmo indicar amigos. Eu indiquei varias meninas para vagas de aupair e não ganhei um centavo, mas ganhei amigos, contatos e referencias por isso. Nem tudo é dinheiro!
Como são as entrevistas!
Entrevistas em geral são sempre assustadoras, pelo menos para mim são aterrorizantes. Seja quando eu estou entrevistando alguém ou sendo entrevistada e o fato de realizar entrevistas em inglês chegou a tirar o meu sono por varias vezes. O que falar? Como se comportar? O que perguntar? Mentir? Omitir? Eu sou totalmente adepta a verdade, mesmo que isso represente não ocupar a vaga, pois se você precisa mentir para conseguir um trabalho, talvez seja porque ele não seja exatamente o que você esta procurando. Claro que ninguém vai chegar na entrevista colocando os pés na mesa da casa ou dizendo que adoraria levar o namorado pra casa. Use o bom senso. Deve estar bem vestida e apresentável, mas não vestida para matar (não vai a uma festa)! Planeje com antecedência as perguntas e as treine com um amigo se possível, tente imaginar o que eles o perguntariam e esteja preparada para tudo. Ser coerente com o currículo é um grande passo, mas também não coloque apenas experiências em pubs por exemplo.
No meu caso as duas principais entrevistas de aupair que realizei foram em dias seguidos: sexta-feira em Malahide (sempre tive vontade de morar la porque é praia), uma família com 3 criancas, lá eu trabalharia de segunda a sexta (final de semana garantido), mas chegaria atrasada na escola.
a outra Familia foi no sábado em Mount Merrion (nunca tinha ouvido falar), uma família com 3 meninos.
Na entrevista de Malahide eu encontrei os pais num coffeshop onde a entrevista transcorreu como todas as outras.
Quais as perguntas comuns na entrevista??
De onde você vem? Por que? Onde mora? O que faz aqui? Gosta de crianças? Já trabalhou com crianças? Já conviveu com crianças? Qual o horário da escola? Quando terminam suas aulas? Quanto tempo pretende ficar na Irlanda? Quais são seus planos para seus dias na Irlanda (viajar, dormir, comer, juntar dinheiro)?
Fui aprovada em ambas e a opção por uma ou outra foi muito difícil. Minhas sinceras considerações foram: tenho mais afinidade com meninos, o fato da entrevista de Mount Merrion ter sido na casa e as crianças terem sido ouvidas se gostaram de mim ou não fizeram toda a diferenca.
mudando de casa…
No inicio foi tudo assustador como teria sido em qualquer outra casa. Sai da casa onde eu morava com amigos chorando, claro! Não conseguia fazer a maquina de lavar louças e roupas funcionar, o banheiro era uma aventura, as crianças queriam a antiga aupair, o bebe chorava e a mãe também.
Fazia um frio horroroso e levar ou buscar as crianças na escola parecia castigo. Em compensação eu ganhei um quarto confortável e quentinho, comida fresca e a vontade a hora que eu bem entender disponível na geladeira, internet gratuita e não precisava pagar por isso. O salário nunca foi um Oasis, mas no inicio foi mais do que o necessário para tocar a vida. Entender a família falando era impossível, mas me forçou a aprender!
Fiz novos amigos ao redor de onde moro, me tornei amiga da família, conquistei o respeito e o carinho das crianças e amigos. Ganhei beijos e tapas, gritos e palavras de amor, escuto palavras de português soltas ao longo do dia que me enchem de orgulho. Mas para isso trabalhei muitoooo também e tive que dispor de muita paciência, ajudar em todos os afazeres da casa, ouvir dias e noites de choro em todos os tons e por tudo, deixar de sair com os amigos e pra festas imperdíveis e não juntar dinheiro porque o que eu salário é baixo.
Decisão de parar…
Há um mês mais ou menos, eu comecei um novo trabalho numa empresa indicada pela família. Para isso precisei dispor dos meus finais de semana e varias noites em que eu soh queria dormir. No inicio parecia tarefa fácil, mas descobri que tenho limites emocionais e físicos e resolvi abdicar da minha vida de aupair. Sem nenhuma demagogia digo que foi uma decisão muito difícil, chorei muito e passei noites e dias pensamento se realmente era a melhor decisão e como fazer isso. Já vi muitas meninas saírem das casa de família e não se importarem em manter contato com a família, mas eu sou completamente apaixonada pelos meus meninos e vou querer acompanhar a vida deles pra sempre, mesmo que seja por telefone, e-mail, carta ou o que seja. Enfim, eu tomei a decisão de sair e conversei com a família. Expliquei que precisava fazer outras coisas, novos desafios e porque não um tempo de criança (choros, gritos não são fáceis) e felizmente entenderam perfeitamente.
Deixaram as portas abertas para que eu seja amiga da família, visite as crianças sempre que eu tiver vontade (certeza que virei, era tudo o que eu queria ouvir) e participe da vida deles sempre que possível. Continuamos procurando alguém para a vaga (estou ajudando a família com essa tarefa) e ainda ensaio como contarei para as crianças sobre a minha saída. O melhor de tudo é ter paciência e bom senso sempre! Apareceu o momento de mudança e acho que agora é o momento.
Arrependimento? Mudaria algo? Magoas? Nãooooooooo, de maneira nenhuma! Eu faria tudo de novo e sou muito orgulhosa do trabalho que desenvolvi e dos amigos que ganhei. Alem de ter desenvolvido o meu inglês com maior facilidade.
Antes de buscar uma posição como aupair eu sugiro que pergunte a si mesma (o): quais são os seus objetivos? Voce gosta de criança? Esta disposta a dedicar energia e carinho para isso?
No mais, boaaaaaaaaaaaaaaaaa sorte!!!
Eu também conto minhas historias no meu blog, da uma passada por lá www.li-dublin.com.br
Beijos,
Li Carvalho






